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domingo, 6 de novembro de 2011

O drama do argentino Walter Montillo


Em menos de um ano e meio de Cruzeiro, o argentino Walter Montillo criou com a torcida um forte vínculo, mesmo com os altos e baixos da equipe. Encantou o torcedor com gols e jornadas inspiradas principalmente no Campeonato Brasileiro de 2010 e na primeira fase da Copa Libertadores de 2011, mas pode ter como maior conquista pelo clube um objetivo não tão nobre: evitar a queda cruzeirense para a segunda divisão do Brasileiro.
Com contrato até 2015, Montillo tem sido alvo de especulações e sondagens que indicam para uma possível saída ao término da Série A 2011. O jogador diz que quer ficar, o clube nega intenção de venda, mas a instabilidade do Cruzeiro pode ajudar o argentino a buscar novos ares em 2012. Mesmo que o time permaneça na primeira divisão nacional e ele amplie a identificação com os torcedores.
Contratado em agosto de 2010, o meia chegou ao Cruzeiro com status de craque e ídolo pela lembrança do estrago que fez no Flamengo, como jogador do Universidad do Chile, em partidas pela Copa Libertadores daquele ano. Prova disto está na presença dos cerca de 500 torcedores cruzeirenses logo na chegada a Belo Horizonte, no Aeroporto da Pampulha.
Com qualidade técnica, bom passe, simpatia fora das quatro linhas e a tradicional raça argentina em campo, Montillo correspondeu às expectativas quando atuou. Colocou o Cruzeiro na briga pelo título nacional e teve um primeiro semestre de 2011 com atuações de gala.
Conquistou o Campeonato Mineiro, mas mesmo com os fracassos na Libertadores e a péssima campanha no Brasileiro, segue prestigiado. Se não ficar para 2012, inevitavelmente criará uma crise entre torcida e diretoria.
Não à toa, o Cruzeiro se esforça para afastar especulações. "Estou dizendo a você, torcedor do Cruzeiro, que não existe o mínimo interesse da venda do Montillo. Até 31 de dezembro, quem responde é o Zezé Perrella (presidente). Ele foi taxativo que não vende, que não venderia, como não vendeu. A partir de 31 de dezembro, quem responde é o doutor Gilvan Tavares (presidente eleito). E ele já disse que não vende o Montillo. Então, o torcedor pode ficar muito tranquilo, porque o presidente, tanto o atual quanto o futuro, já disse que não vai vender o Montillo", disse o atual diretor de futebol celeste, Dimas Fonseca.
Mas o fato é que o assédio, que já é muito grande, deve aumentar. Primeiro, os interessados foram os chineses. Depois, os russos. Agora, o jogador virou alvo de desejo do Corinthians para a próxima temporada.
Apesar das negativas do presidente Andrés Sanchez, o clube paulista estaria disposto a pagar cerca de R$ 14 milhões, além de incluir o atacante Jorge Henrique em uma possível negociação que deve ganhar força ao término do campeonato.
Porém, atleta mantém o discurso. "Acho que o Cruzeiro melhorou muito com a chegada do Vágner Mancini, temos que acreditar no trabalho que ele está fazendo e que o time vai sair dessa fase ruim. Temos que pensar daqui para frente, infelizmente temos que estar com a calculadora na mão, sim, mas não vamos fugir dessa realidade. O time vai seguir trabalhando, não tem outro jeito de sair dessa situação se não for com trabalho e se não acreditar no trabalho do treinador", explica.

Drama
Além do lado profissional, Montillo convive com o drama familiar envolvendo a saúde do filho mais novo, Santino, de um ano e sete meses. Casado com Melina, o argentino ainda possui o garoto Valentim, três anos.
Santino nasceu com Síndrome de Down e teve que passar por duas cirurgias apenas esse ano. A primeira, em abril, no coração, e nas últimas semanas, o garoto esteve internado duas semanas na UTI após um procedimento cirúrgico emergencial no intestino. O jogador admite que está sobrecarregado emocionalmente, mas confia na solução dos dois problemas.
"Meu filho está fora do que é o futebol. Estou torcendo por ele. É óbvio que a preocupação de um pai é maior com um filho na UTI. Junto a situação do Cruzeiro, fica mais difícil. Mas tenho certeza que o Cruzeiro vai sair dessa situação, o meu filho também e vamos comemorar isso", afirma.
Mesmo com a doença do filho, Montillo nunca faltou a um treinamento e é elogiado pelos colegas de time e também pelo técnico Vágner Mancini pela dedicação e profissionalismo.
"O Montillo é um exemplo de superação. Antes de chegarmos aqui, a gente já acompanhava o drama e a performance do atleta em campo. Hoje estou tendo a chance de ver que é um atleta diferenciado. Mesmo com o lado pessoal, ele sempre mantém o bom humor. É um dos pilares da nossa equipe", afirma o treinador Mancini.

Fonte: Claudio Correa de Rezende Junior - Site Terra



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